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Humildade ou Vaidade Disfarçada?

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Moacyr Castellani
Publicado em: 
Jornal Hoje em Dia

As pessoas têm um receio enorme em reconhecer as próprias qualidades. Envergonham-se diante da perspectiva de demonstrar suas habilidades, assumir os próprios talentos. É a confusão entre humildade e modéstia.

Alguns acham que modéstia é virtude. Culturalmente, aprendem não ser nobre assumir as próprias qualidades. O adequado é ser discreto, negar, não se envolver com elogios. Se alguém questiona sobre o sucesso de algum empreendimento, o ideal é desconversar. Afinal, para ser bem visto, o importante é não chamar a atenção.

Mas fazer questão de não ser notado é uma forma sutil de querer ser notado. É se valorizar, se desvalorizando. É chamar a atenção não chamando a atenção. É demonstrar superioridade não assumindo ar de superior. A vaidade cria a modéstia que é a própria auto-estima disfarçada.

A não-vaidade é melhor definida com o termo humildade. A verdadeira nobreza consiste em ser humilde. Ser humilde é ser natural. Você nem faz questão de elevar as próprias qualidades, como também não deseja escondê-las. Ser humilde é ser sincero, lidar com os fatos da forma como eles são. É ser autêntico. Ser humilde é não se preocupar em chamar a atenção para si, mas também não evitá-la. Afinal, ambas as situações buscam reconhecimento e notoriedade.

Ser humilde é reconhecer os próprios limites e não se iludir quanto a eles. É assumir as incapacidades mas procurar superá-las. Muitos enfatizam os próprios defeitos apenas para chamar a atenção. Tornam-se as próprias vítimas, exigindo reconhecimento, consideração e até piedade. Mas ser humilde não é enfatizar pontos fracos. Ser humilde é possuir a capacidade de reconhecê-los e procurar melhorar.

No entanto, ser humilde é também valorizar as próprias virtudes e competências. Da mesma forma que é importante reconhecer os limites, é vital assumir e valorizar as próprias capacidades. Afinal, não é pecado algum desenvolver habilidades. Pelo contrário, cultivar os próprios dons e talentos é na verdade uma obrigação pessoal. Não podemos desprezar nossa vocação quando possuímos mérito para realizá-la.

Afinal, quem não se sente orgulhoso em ser reconhecido por algo que lhe é verdadeiro? Não vale a pena ser tímido diante do que somos naturalmente capazes. Perderemos oportunidades valiosas que poderiam ajudar o próprio crescimento sendo retraídos demais. É necessário acreditar em si mesmo, aprendendo a receber, ser amado, aceitar elogios quando merecidos.

Só podemos contribuir genuinamente para o crescimento dos outros com autoconsciência e valorização da nossa própria maneira de ser. Devemos ser humildes, sem falsidade ou modéstia. Ser natural, reconhecendo nossas fraquezas, mas assumindo de forma sincera as próprias qualidades são essenciais rumo a um processo de crescimento e amadurecimento autêntico. Afinal, dizem que é dando que recebemos, mas devemos dar a nós mesmos para ter o que dar aos outros.