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Sexo é "Coisa de Criança"

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Moacyr Castellani
Publicado em: 
Estado de Minas

Dizem que a sexualidade está ligada unicamente ao lado adulto do ser humano. Mas, afinal, o que é ser adulto? Esta parece ser uma questão simples para qualquer um de nós – mas não é. Infelizmente, nossa sociedade vive diante de um imenso paradoxo: ser verdadeiramente adulto ou cumprir o papel de adulto – grande diferença. Cumprir o papel de adulto não quer dizer que somos realmente maduros.
Mas por que ansiamos por cumprir um papel? Bem, é porque aprendemos a fazer assim. Infelizmente, nos deparamos com poucas oportunidades para aprender a ser o que realmente somos, ao invés de representar um modelo. Aliás, o grande erro de quem almeja tornar-se adulto é achar que nunca mais será criança.

Ora, procuramos ao longo dos anos descartar muitos comportamentos que carregam em si características infantis: pureza, sensibilidade, ternura, curiosidade, espontaneidade são exterminadas em prol do desenvolvimento de aspectos "adultos" da nossa personalidade. Destruímos nosso lado criança para representarmos o papel de adulto.

O mesmo acontece com nosso lado adolescente. Deixamos de lado o questionamento, auto-afirmação, muitos sonhos e coragem em prol da chegada de um lado mais responsável, prático e racional. Da mesma forma, é um grande engano acreditar que nunca mais seremos adolescentes.

Na verdade, ninguém precisa deixar de ser criança para se tornar um adulto. É preciso sim deixar de ser apenas criança para se tornar criança-adolescente-adulto. Este é o segredo da maturidade, não destruir aspectos de nossa personalidade para que outros assumam o seu lugar, mas integrar todos os aspectos. Não podemos abandonar a espontaneidade de nossa criança interna ou a coragem de nosso lado adolescente e apenas substituí-los por um lado responsável. Devemos, na verdade, integrar todas estas particularidades, sendo responsáveis, mas ao mesmo tempo espontâneos e corajosos. É claro que, de acordo com cada experiência, um aspecto será soberano. Em determinadas situações, é preciso ser mais racional (adulto), rebelde (adolescente), ou ainda mais lúdico (criança). Aliás, em matéria de sexo, qual aspecto torna-se vital?

Ora, em nossa cultura, levamos o sexo a sério demais. É claro que devemos ser conscientes e responsáveis na escolha de cada companheiro, na forma mais sincera de se relacionar, nos métodos de proteção para um encontro mais íntimo. São nossas facetas "adultas" que dão as referências necessárias sobre escolha e convívio mútuo, estabelecendo uma razão, um sentido para a relação. Mas ele não pode isolar-se em todo o processo.

Afinal, intimidade é uma experiência guiada pelo nosso lado criança: fazer amor clama por um momento de entrega, um encontro que seja solto, inteiro e espontâneo. Amar é se entregar a uma exploração mútua, a um momento livre de expectativas, à magia do toque, a uma eterna brincadeira.

É por isso que "sexo é coisa de criança", pois amar de verdade é uma revelação, uma entrega aberta e espontânea, sem disfarces, medos ou inibições. É claro que podemos até ser desinibidos e intensos a partir de uma referência adulta, a partir de um papel mais incisivo. Mas, para ser intenso, mas amar de verdade, se entregar não só de corpo mas também de alma, não basta cumprir apenas um papel. É preciso ser realmente inteiro e maduro, viver e curtir, naturalmente, nosso lado criança.