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O Maior Desafio de Ser Pai

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Moacyr Castellani
Publicado em: 
Estado de Minas

Se o trato diário com amigos e colegas já exige uma boa dose de atenção, compreensão e respeito, o bom convívio entre pais e filhos exige ainda mais. A intimidade e o contato constante entre membros de uma mesma família acalma e acalenta a relação, mas também expõe aspectos frágeis e humanos da nossa personalidade. Ser pai não é fácil, principalmente diante da vigilância de uma sociedade que cobra estabilidade e perfeição de um personagem que é, essencialmente, humano.

Este é um aspecto fundamental: acima de assumir o papel de pai, ser você mesmo na relação. Não adianta se obrigar a cumprir um padrão, assumir uma conduta que não corresponda à realidade interior, suas próprias crenças e valores. Afinal, filhos necessitam de uma referência, do exemplo dos pais. Assim, é necessário uma boa dose de autoconhecimento, pois bons exemplos provêm de boas atitudes. Não adianta apontar um caminho ou impor um limite se não agirmos de forma coerente. Aquela história do "faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço" é um desastre. Ora, ninguém suporta incoerência e ambigüidade diante de um contato que deveria ser, no mínimo, autêntico.

Assim, além de sermos coerentes, devemos nivelar a relação. Acima de ser pai ou filho, ambos são indivíduos únicos repletos de potenciais próprios. É claro que o adulto tem mais experiência e compreende melhor aspectos ainda não acessíveis a uma criança ou adolescente. Mas quem faz questão de tornar evidente esta diferença, discriminando a capacidade do próprio filho em crescer e desenvolver-se, sustentará uma relação de insegurança, contribuindo para o aparecimento de sentimentos de medo, submissão ou rebeldia.

A aplicação de limites é também em muito necessária. Da mesma forma que atenção, amor e incentivo são atitudes vitais para o desenvolvimento da personalidade, a noção de limite é o complemento para o equilíbrio. Muita gente desenvolve dificuldades ao longo da vida exatamente pela falta ou excesso de limites. Ora, não precisamos esconder a realidade, que às vezes é dura, ao próprio filho. Limites são necessários e devem ser aplicados com sinceridade. Infelizmente, há pais que confundem as coisas, acreditam que estabelecer limites é ser duro. Bem, podemos ser firmes, não necessariamente duros. Afinal, atenção e carinho são necessários até nas situações mais concretas.

É importante também estar atento para não projetar no filho nossas próprias frustrações ou anseios. Muitos pais buscam realização pessoal no sucesso dos filhos. Gostariam que fossem seus seguidores, que realizassem tudo o que eles próprios não conseguiram ao longo da vida. Enchem-se de expectativas e podem até influenciar de forma negativa no desenvolvimento de maturidade e autonomia pessoal.

Ser pai é um eterno aprender. O importante é ter sabedoria e coragem para superar as dificuldades e tentar melhorar. Afinal, ser bom pai é ser um bom homem, é conhecer-se a si mesmo. É acreditar na própria capacidade e amadurecer de uma forma sincera. É formar-se como pessoa, saber apreciar novos encontros e relações. É ser humano, compreendendo os limites que a vida nos coloca, mas nunca fugindo das oportunidades que ela nos traz.