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A Melhor Solução no Combate às Drogas

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Moacyr Castellani
Publicado em: 
A Tribuna

O mundo inteiro vive o grande pesadelo das drogas. Por toda parte, ouvimos notícias sobre o aumento de seu consumo ou do crescimento do tráfico e do poderio dos cartéis. Se, há décadas atrás, a utilização de maconha, cocaína e LSD, dentre outros, limitava-se a adultos e, raramente, a adolescentes, hoje é realidade também entre as crianças. A verdade é que, tanto nas grandes metrópoles quanto em regiões mais afastadas do País, o vício e o abuso de drogas batem mais cedo à porta da sociedade.

Enquanto isso, governos investem quantias fenomenais para reduzir o consumo e eliminar o fornecimento de entorpecentes. Os Estados Unidos, preocupados com estatísticas alarmantes em relação ao aumento e sofisticação das técnicas de tráfico, são um dos países mais engajados nesse trabalho. Gastam milhões de dólares tanto na repressão interna quanto em auxílios a países subdesenvolvidos que não dispõem de recursos suficientes para banir a produção e comercialização de entorpecentes.

É claro que todo este empenho é de vital importância para o controle da situação. Mas, poucos são os resultados obtidos se comparados com o investimento aplicado. Apesar de vigorosas tentativas realizadas pela polícia e justiça das mais diversas nações, o mal continua a alastrar-se. Acredito que esse crescimento ocorre porque boa parte do esforço não é dirigido ao ponto chave do problema.

Ora, não poderemos reprimir a comercialização das drogas se o número de dependentes continuar crescendo. Enquanto parte da sociedade estiver voltada ao consumo de entorpecentes, os cartéis encontrarão uma forma de levar a droga até eles - custe o que custar. O combate não deveria ser dirigido unicamente à fabricação da droga mas, principalmente, ao desejo e à demanda de consumo.

Afinal, o que leva o indivíduo a utilizar drogas? O que leva o homem à ingestão de entorpecentes, chegando mesmo à dependência total? Com raras exceções, a resposta está diretamente ligada a instabilidades emocionais: medos, inseguranças, carências, relacionamentos doentios, dificuldades em família e preocupações profissionais.

De uma forma ou de outra, a droga é utilizada para camuflar ou tentar aliviar a dor causada pela aparente incapacidade em compreender os próprios problemas. É uma fuga, uma válvula de escape para o indivíduo que ainda não consegue equilibrar e dar sentido às diversas facetas de sua própria existência.

Este é o foco principal, a raiz do problema. Só poderemos banir a droga se o consumidor, o próprio indivíduo se desinteressar por ela. Não quero dizer que será um trabalho fácil de se realizar e que trará resultados da noite para o dia. Mas, de certa forma, é o caminho mais inteligente: sem violência, trabalhando as dificuldades, transformando medo em coragem de crescer, investindo em maturidade e evitando a pior saída.