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Homem e mulher na virada do século

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Moacyr Castellani
Publicado em: 
Estado de Minas

Ultimamente, palavra muito em moda em nosso vocabulário é independência. Homens e mulheres, sem distinção de raça, crença ou classe aderiram a uma forma delicada de interação se não bem compreendida ou mesmo elaborada.

Com a revolução sexual, a mulher obteve novas oportunidades para desenvolver sua individualidade, ocupando assim mais espaço no mundo moderno. Estava por demais insatisfeita, para não dizer frustrada frente às imposições masculinas. Viveu por um longo período valorizando e extravasando sobretudo " valores femininos ", como paciência, delicadeza e intuição.

Já os homens, assustaram-se amargamente ao perceber que as mulheres não estavam mais dispostas a se sujeitar, renunciar a seus espaços, interromper seus destinos. Habituados com seus " aspectos masculinos ", como força, iniciativa e racionalidade, muitos grandalhões viram-se diante de novas exigências: sensibilidade, ternura, atenção.

É claro que esta ruptura de padrões abriu um novo e positivo espaço na vida social, tanto para a mulher, que passou a assumir os aspectos práticos de sua vida pessoal, como para o homem, que passou a dar um sentido mais humano e verdadeiro às suas ações e pensamentos.

Mas, nesta ânsia de desenvolvimento e evolução, exageramos na dose. Na angústia de aprender e dar atenção a facetas esquecidas da personalidade, lançamo-nos ao outro extremo. Muitos homens antes rígidos e calculistas tornaram-se frágeis e sem iniciativa. Mulheres antes delicadas e atenciosas tornaram-se sérias e desconfiadas. Ambos não conseguiram se equilibrar e, para piorar, afastaram-se mais um do outro.

O casamento, novamente, faliu. Ninguém mais acredita na validade genuína de uma vida a dois. Parece que não estamos mais dispostos a expor nossos sentimentos, compartilhar emoções, dedicar o próprio esforço em prol da construção de uma vida em comum.

Refugiamo-nos na independência, maneira fácil e rápida de evitar compromisso, responsabilidade, cumplicidade. Não estou dizendo que passar de uma situação de dependência para uma condição mais autônoma seja negativo. Muito pelo contrário, tornar-se auto-suficiente em alguns pontos é um grande passo no processo de maturidade. O perigoso é parar por aí, não atingir o próximo nível - interdependência.

É um grande e difícil desafio, mas ao mesmo tempo o mais glorioso. Tornar-se um casal, uma família capaz de exprimir e explorar melhor suas potencialidades, ajudando-se mutuamente e caminhando em direção à uma evolução maior é tarefa reservada apenas para os corajosos. Desenvolver e firmar nossa independência é essencial, mas desfrutar do prazer de compartilhar nossas particularidades face ao ente querido é simplesmente, divino.